Círculo do Desenvolvimento

Pleno Emprego e Cidadania

DÉFICIT- A HISTÓRIA

Posted by hsilveira em março 13, 2008

DÉFICIT- A HISTÓRIA

Introdução:

 

O plano do texto procurará, a partir das definições teóricas do termo déficit, explorar a inter-relação da economia internacional com as economias em desenvolvimento, mostrando o condicionamento e correlacionamento do nosso desenvolvimento neste contexto.

A lógica clássica:

 

Estamos em déficit quando gastamos mais do que recebemos. Então pelo senso comum temos que ganhar mais  ou cortar gastos ou recorrermos a empréstimos. Com o Governo seria a mesma coisa ou arrecadar mais impostos ou gastar menos com: salários, gastos de aposentadoria e/ou outros ou recorrer a dívida interna e/ou externa e , logicamente, pagar juros .

Portanto, se um país encontra-se numa situação deficitária e/ou inflacionária basta aplicar o “receituário clássico”,  aumentar Impostos e/ou reduzir Gastos que a simples percepção(Expectativa Racional) pelos agentes econômicos da séria intenção do Governo de reduzir o Déficit, faria com que a taxa de juros exigida pelos credores, fosse menor, consequentemente, diminuindo o Déficit pela redução da carga de juros. Estes dois fatores (redução dos juros e do Déficit) fariam com que a Economia fosse reativada e, assim,neste “círculo virtuoso”, após um rápido período de purgação, tudo estaria bem.

Esta é a lógica e o “receituário clássico” recomendado e exigido pelo FMI para qualquer situação para qualquer País, seja pobre, seja rico ,seja fraco ou seja forte,seja asiático, latino ou africano.

Figurativamente, seria o mesmo que um médico receitar sempre o mesmo medicamento para qualquer paciente ,no caso, seria diagnosticar obesidade (excesso de demanda) para todos os pacientes, fossem obesos ou desnutridos.

Poderíamos, se fôssemos adeptos do  pensamento ortodoxo, ir diretamente  à análise do déficit brasileiro. Entretanto, temos que investigar o macro ambiente econômico e histórico para podermos entender o que ocorre atualmente, aprofundando um pouco mais o questionamento sobre este tipo de pensamento.

A atuação do FMI:

Começamos indagando por quê o FMI não apresenta um diagnóstico diferenciado para cada País de acordo com as suas especificidades? Por que ao invés de utilizar sua política econômica de pensamento único, não abre o debate para outras correntes de pensamento no âmbito da Economia Política?

Gostaríamos de conhecer um caso de sucesso, no conjunto dos países emergentes, da aplicação do receituário do FMI.

Nosso país encontra-se sob monitoramento explícito ou implícito do FMI desde 1982 e não por acaso os anos 80 e os 90 foram consideradas décadas perdidas em termos de crescimento econômico e desenvolvimento social, e não retomamos mais a média de crescimento histórico no entorno dos 7%. De 1982 a 2001 nosso crescimento médio real ficou em 2,4%.

Joseph Stiglitz, ex- economista -chefe do Bird e, posteriormente, laureado com o prêmio Nobel de Economia(2001), em artigo, de10/05/2002, publicado em “Valor”-“Morreu a economia Keynesiana?”, faz crítica ao procedimento clássico do FMI,é dele o texto a seguir(em grifo):

“O FMI não aprendeu a lição; ainda vem condicionando a sua ajuda a novos cortes de gastos.

…O FMI continua insistindo numa “teoria” econômica alternativa que Keynes combateu há mais de 60 anos. Em poucas palavras, Keynes combateu a noção de que bastava os países reduzirem seus déficits para a “confiança”ser restaurada, o investimento voltar e a economia atingir novamente o pleno emprego. Pela “teoria” do FMI, os investidores, vendo a determinação do governo de eliminar déficits, acorrem ao país, o desempenho econômico se recupera e a política é comprovada. As metas  orçamentárias são mais do que cumpridas.O “sofrimento” temporário produziu ótimas recompensas.

Não conheço nenhum país onde esse cenário foi bem-sucedido, pois há dois problemas cruciais… Mesmo que “confiança” fosse o fator mais importante, os déficits não são os únicos fatores, nem mesmo os mais importantes na determinação da confiança do investidor. Um país em recessão ou depressão não inspira confiança. Políticas recessivas só exacerbam a recessão. Os investidores adotam uma atitude de esperar para ver numa situação destas.

Enquanto esperam, eles não gostam do que vêem. Afinal, o primeiro efeito de corte de gastos é um declínio da renda, e com ele, da lucratividade do investimento. Com o declínio da renda, cai a arrecadação tributária e,se o país tem alguma rede de proteção social, os gastos aumentam. A melhoria esperada na situação fiscal não se materializa. Neste ponto, o FMI castiga o país por não conseguir cumprir suas obrigações. Mas é o FMI que deveria ser castigado – pela imposição de uma teoria econômica há muito rejeitada.

Economia é um tema difícil porque não podemos realizar experimentos controlados. Não existem duas ou três Argentinas, uma seguindo o experimento que descrevi acima e outra adotando as políticas que eu prefiro. Mas nós temos uma riqueza de experiência de onde tirar inferências, que aponta numa direção: os ensinamentos de Keynes ainda estão muito vivos”.

Aliás nosso país após 1964 condicionou, mais incisivamente, aos recursos externos o complemento do financiamento do  nosso crescimento e a partir daí, por nunca termos constituído uma moeda forte e conversível, ficamos à mercê de todas as crises da Economia Internacional e nunca mais nos livramos de um inesgotável endividamento externo e interno, levando nosso processo de crescimento a um interminável processo de “Stop and Go” gerando todo um conjunto de problemas sociais.

De fato, vivemos uma situação que nosso insípido crescimento não absorve o contingente de jovens que chega à idade de trabalho forçando-os ao sub-emprego, à informalidade ou à marginalidade. Por falta de investimento e desenvolvimento urbano nossas principais cidades sofrem um processo de inchaço populacional tornando-as inviáveis num futuro próximo.

Atualmente, necessitamos de US$50 Bilhões (ou quase 10% do Pib) anuais de recursos externos novos para rolarmos nossa dívida externa.

Nosso potencial de crescimento interno, bastando para tanto atender suas mais básicas demandas internas(financiado com recursos internos), fica reprimido por conta da necessidade de recebermos 10% do Pib em recursos externos. Nosso destino fica ,portanto, condicionado aos humores dos investidores externos e da estabilidade da conjuntura internacional nesta era de incertezas(Volatilidade).

A organização financeira internacional após Bretton Woods( e suas consequências e desdobramentos até os dias atuais):

 

A história do nosso desenvolvimento econômico nas últimas décadas , na qualidade de nação em desenvolvimento, está umbilicalmente condicionada e correlacionada ao mercado financeiro internacional pela via da dependência do endividamento externo,portanto, é necessário fazermos um corte e procurarmos informações como se desenvolveu a liquidez internacional nos últimos anos.

Em 1944, foi fechado o acordo de Bretton Woods. A 2ª Guerra ainda não terminara e a reunião dos Aliados ,na localidade de Bretton Woods (New Hampshire) nos EUA, já se preocupava com os destinos financeiros do mundo no pós- guerra. O encontro se notabilizou  pelo embate entre as idéias revolucionárias de Keynes pelo Reino Unido e Harry Dexter White representante dos EUA.

Keynes, com sua visão totalmente focada no lado real da economia apresentou sua tese revolucionária. Propunha criar um Banco Central Mundial voltado para as Transações Internacionais(Reais) e com a finalidade de promover o Comércio Internacional, de forma que a maioria dos recursos transacionados nos mercados internacionais fosse movimentada no âmbito dessa instituição , numa espécie de circuito fechado. A idéia- força era que os recursos gerados no Comércio internacional não se convertesse em disputas por conquistas de superávits e que não se transformassem em reservas esterelizadas pelos grandes países exportadores  e sim que servissem de financiamento barato e acessível para que os países carentes de divisas pudessem adquirir matérias-primas e,principalmente, bens de capital para fomentar o desenvolvimento e o  comércio de forma integrada numa espécie de moto- contínuo virtuoso. Operacionalmente, Keynes sugeriu que o capital do Banco representasse metade do valor das Importações Mundiais. Isto hoje representaria valores da ordem de US$3 trilhões. Sugeriu ainda, uma moeda para utilização no comércio internacional ,  denominada “Bancor”, tendo como lastro uma cesta de “commodities”.Assim, a expansão da moeda internacional estaria lastreada e condicionada à expansão da produção e das trocas internacionais, e não a um estoque limitado de ouro. Adicionalmente, sugeriu a criação de um imposto(reforço adicional às reservas do Banco Central Mundial) de 1% ao mês sobre as importações dos países, por entender que Importação representa redução de Demanda Efetiva, tal sua aversão à políticas recessivas.

Harry White também queria estabelecer  uma moeda internacional, a “Unitas”, e aceitava que fossem destinados recursos de 1/6 das Importações Mundiais( cerca de US$1Trilhão,atuais) para o financiamento do  Comércio Internacional.

Entretanto, prevaleceu a força da hegemonia americana e a velha e conservadora tese monetária do Padrão-Ouro(que prevalecia desde fins do século XIX), onde todas as moedas teriam um valor fixo em relação ao Dólar e este uma relação de conversibilidade de US$35,00 por onça- troy. Nessa ocasião, foram criados o FMI e o Banco Mundial(BIRD), o primeiro com a finalidade de promover o acerto dos desequilíbrios das contas externas dos países membros e o segundo financiar projetos de desenvolvimento.

Em artigo publicado na Revista de Economia Política n°36 de out/dezembro de 1989,”O Acordo de Bretton Woods e a evidência histórica. O sistema financeiro internacional no pós-guerra”, Samuel Kilsztajn (da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo_PUC-SP) argumenta que a conversibilidade do Padrão-Ouro existiu durante o curto período de 1958/60. A seguir, apresentamos um resumo  do artigo(Dado a extensão do texto, selecionamos alguns trechos do longo, porém fundamental e elucidativo, artigo de Samuel e colocamos em Anexo ) :

 

De 1944 ao início dos anos 50 faltava dólares no mundo devido aos grandes superávits nas contas correntes americanas. Em 1947, somente o saldo da balança comercial(mercadorias e serviços) de US$11,6 bilhões, sozinho, era quase igual ao total das reservas(US$12,2 bilhões) dos demais países  . A situação do pós-guerra não permitia a convertibilidade das principais moedas dos países europeus e Japão. Entretanto, a rápida  recuperação das economias européias  já permitia o câmbio em  1958 e a partir de 1960, o dólar já não era , “de facto,” conversível em ouro.

Teoricamente, o resultado das contas-correntes (balança comercial e serviços) tem que ser contrabalançado pela conta de capitais e reservas , de forma que um grande superávit em conta-corrente norte-americano acumularia reservas em moedas dos outros países ou teria que ser equilibrado com uma forte saída de capitais  dos EUA para o resto do mundo.

 A partir de 1958, as moedas européias voltaram a ser convertíveis e, portanto,  passíveis de serem utilizadas como reservas internacionais   e a força da recuperação e a conversibilidade atraiu os capitais norte-americanos. Portanto, os bancos centrais europeus  tiveram que absorver o excesso de capitais norte americanos.

Esta situação trouxe à tona o problema fundamental do sistema de Bretton Woods tão bem identificado por Robert Triffin, economista de Yale- o sistema monetário internacional baseado no dólar, ou melhor, em apenas uma moeda nacional. O dilema consiste que qualquer excesso da moeda líder, seja por um grande fluxo de investimentos no exterior ou por um déficit no balanço de pagamento norte-americano, tinha que ser incorporado como reserva pelos bancos centrais estrangeiros, para não verem suas moedas excessivamente valorizadas frente ao dólar. E qualquer excesso sempre levantaria a dúvida sobre a real convertibilidade do dólar em ouro e, conseqüentemente, crises no sistema monetário.

Portanto, o dólar sobreviveu de 1957 a 1967, como moeda “convertível”  mais pelo receio das autoridades monetárias européias em  vê-lo, efetivamente, desvalorizado e, consequentemente, suas próprias reservas. E como contra-partida a valorização, indesejável, de suas moedas.

 Quando, em 1957, as autoridades monetárias começaram a iniciar um processo de  conversão de dólar por ouro, as reservas do metal nos EUA caíram de 653 milhões de onças para ,apenas, 345 milhões de onças em 1967.

Neste mesmo período(1957 aos fins dos anos 60), verifica-se o desenvolvimento do mercado de eurodólares. No rastro dos fluxos dos capitais norte-americanos em direção à Europa seguiram os bancos norte-americanos desenvolvendo negócios em terras européias. Para os bancos, além dos bons negócios, havia um outro atrativo – a distância do alcance da regulação das autoridades monetárias norte-americanas. Eles poderiam alavancar e expandir seus créditos sem restrições de depósitos compulsórios ou outras limitações legais.

Os bancos norte-americanos contaram com  um  grupo de excelentes clientes – os bancos centrais europeus – que aproveitaram a oportunidade para desovarem seus dólares esterelizados nos seus cofres e os reciclarem no mercado em expansão.

Desenvolvido, o mercado de eurodólares começou a minar a política monetária dos EUA e dos países industrializados.

 A liquidez internacional começa a transbordar os limites europeus, atingindo até os países do  Terceiro Mundo ( Brasil, inclusive).

A expansão do dólar por circuitos financeiros especulativos e sem controle assumia a forma de crise aberta. O pronunciamento de Nixon, em 15 de agosto de 1971, pôs fim a conversibilidade do dólar à taxa fixa de US$ 35 a onça, e instaurou ,definitivamente, a volatilidade da moeda americana.

No final de 1971, o passivo externo norte-americano em poder dos bancos alcançava US$ 15 bilhões e o passivo (bruto) do mercado de eurodólares totalizava US$ 114 bilhões. Ainda neste ano, acontece o primeiro déficit na balança comercial americana e, com exceção de alguns poucos anos, estes tornam-se crescentes. Até os fins dos 80 os déficits comerciais eram, em parte, contrabalançados pela conta de serviços, mas as saídas dos dólares pela conta de capital serviam para inflar o passivo externo oficial dos EUA que atingiu US$ 165 bilhões  em 1978.

Em 1973, acontece a crise do petróleo com a quintuplicação dos preços do produto.

Triffin argumenta que  o aumento do preço do petróleo foi em parte devido a uma inflação já em curso, e não a causa da inflação. O mercado de euromoedas sustentou a crise do petróleo ao reciclar os petrodólares, prestando-se a financiar países importadores de petróleo ( Brasil, inclusive). Com taxas reais negativas, o circuito financeiro alimentou as dívidas externas dos países em desenvolvimento e do leste-europeu. Interessante o quadro “pintado”, por Samuel, do circuito internacional: “Um banco belga, operando em Londres, captava depósitos árabes em moeda norte-americana, que eram emprestados no mercado de euromoedas a países latino-americanos, que aumentavam suas reservas em eurodólares, que eram reciclados nas Bahamas”…

O crescimento da liquidez internacional trouxe taxas reais de juros negativas, mas taxas negativas não afetavam a rentabilidade dos bancos devido aos elevados “spreads” e a grande magnitude dos empréstimos.

Em 1979, quando Paul Volcker (o, então, presidente do FED) resolve atacar a inflação americana, que beirava os dois dígitos, e decretou a “nova supremacia” do dólar, através de uma excepcional subida dos juros norte-americanos( de negativo para 10% real), o sistema internacional, submetido a um “tratamento de choque”, foi posto de “cabeça para baixo”, com a rápida valorização do dólar. Os EUA e o mundo entraram em crise, principalmente, os países do terceiro mundo, com o colapso da dívidas (no México em 1981, no Brasil em 1982 e nos demais países em desenvolvimento de forma generalizada).

A partir de 1982, a administração Reagan passou a incorrer em déficits públicos e a economia foi reaquecida. A recuperação norte-americana, o dólar forte e as atrativas taxas de juros provocaram uma corrida dos capitais para os  EUA e, consequentemente, um aumento brutal dos déficits em conta-corrente( hoje, em torno de US$ 400 bilhões anuais) e do endividamento externo transformando os EUA, em pouco anos , no maior devedor líquido internacional.

Com o histórico “padrão-ouro” até 1971, e com taxas de juros flutuantes a partir daí, o sistema monetário internacional está sujeito a alto grau de instabilidade. O dólar, em relação às demais moedas fortes, desvalorizou-se durante a década de 70, valorizou-se na primeira metade dos 80 (até atingir seu nível anterior à declaração de sua inconvertibilidade) e desvalorizou-se entre 1985 e 1987( para aquém do patamar de 1980), O sintomático é que essas oscilações têm ocorrido em períodos cada vez mais curtos, de dez para cinco e de cinco para três anos.”

 

 

 

E, assim, Samuel Kilsztajn conclui seu magnífico artigo:

“Não há solução lógica para a questão do dinheiro universal. Todo acordo é idealizado e reflete a articulação da economia internacional em períodos historicamente determinados. E a instabilidade é inerente à dinâmica capitalista. As taxas de câmbio flutuantes esgotaram-se historicamente e crescem as pressões para um novo “Bretton Woods”. Enquanto isso, o sistema monetário internacional está evoluindo para um sistema oligopolar, com ênfase na coordenação das políticas monetárias e macroeconômicas entre os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão.”

 

Conforme Samuel Kilsztajn, a periodicidade dos momentos de instabilidade vem se reduzindo na medida que aumenta a liquidez internacional e, de fato, no ano de 1987, em outubro, acontece o “outubro negro”, a queda da bolsa em Wall Street que se alastrou pelas bolsas do mundo no primeiro grande efeito “dominó” da globalização financeira. Após o período da “monetização” caracterizado pela expansão do dólar promovido pelos bancos privados na forma de euromoedas, na década de 60, vemos o início de uma nova era, a da “financeirização”, que se caracteriza pelos produtos financeiros representados por derivações de operações financeiras originais. Por exemplo: uma operação de empréstimo de médio prazo é fechada juntamente com um derivativo ( produto derivado da operação original) que pode ser uma opção de venda (put), que dá o direito ao credor de exercer a liquidação da operação, a partir de uma data estabelecida antes do vencimento, e esta “put” pode ser vendida para terceiros,repassando o risco. Nesta nova era a liquidez é levada ao paroxismo(é a “era do dólar-livre”,sem controle) representada pelas operações financeiras eletrônicas que correm o mundo e as reações se dão em tempo real (“on line”). Conforme podemos perceber, ao longo do tempo, os negócios financeiros vão se afastando do foco à vista, de uma operação do lado real para se tornar um produto puramente financeiro, ou seja, uma abstração.

Voltando a 1987 , o déficit comercial americano já passa de US$ 150 bilhões anuais e o Federal Reserve tem que elevar as taxas para atrair  os recursos dos países superavitários . Este desequilíbrio é percebido pelos investidores que começam a se desfazer de suas posições em ações e este procedimento é alavancado por ordens de vendas disparadas automaticamente pelos computadores através de  programas de limitação de perdas(“stop- loss”) , no mundo inteiro. É o primeiro momento de pânico pós 1929, mas, ao contrário daquele ano , as autoridades monetárias injetam liquidez e afrouxam as restrições orçamentárias inundando os mercados financeiros. A reação foi positiva, o crash é revertido e, o mais surpreendente, o efeito sobre o mundo das transações reais é praticamente desprezível. Parece, aparentemente, que o circuito financeiro-especulativo-abstrato internacional está definitivamente divorciado do lado real -concreto . Como veremos mais adiante, esta solução será cada vez mais corriqueiramente empregada.

A pergunta é : Até quando isto poderá ser utilizado sem conseqüências  reais?.

O ano de 1989 é rico em eventos.

O primeiro deles é quando,no início do ano, Nicholas Brady, o secretário de tesouro dos EUA, anuncia o que viria a ser conhecido como “Plano Brady” tratando de operações de rolagem das dívidas dos países insolventes onde a nova dívida seria constituídas por títulos (“bonds”), em parte securitizados com lastro em títulos do tesouro americano. Estes títulos poderiam ser negociados em mercado, o que daria um grande alívio e lucros aos grandes bancos por dar liquidez aos créditos ilíquidos, resquícios dos empréstimos ainda da década de 70.

Um segundo evento é o que viria a ser conhecido  como o “Consenso de Washington”. Trata-se dos encontros dos  economistas e técnicos de organismos internacionais que acontece, eventualmente, no Internacional Institute of Economy, em Washington. Em um desses encontros,  o economista Jonh Willianson do instituto compilou e reuniu em um documento a síntese do pensamento destes técnicos para aplicação nos países que viessem a precisar de recursos destes organismos. O alvo seria exatamente os países (principalmente latinos- americanos) que viessem a se “beneficiar” da rolagem do “Plano Brady”. O  “Consenso” consiste em um conjunto de regras que vieram a ser conceituadas como o receituário “Neoliberal”:

Rigoroso esforço de equilíbrio fiscal

Reforma administrativa, previdenciária e fiscal

Corte nos gastos públicos ( salários, funcionários e contribuições sociais )

Privatização

Flexibilização da legislação trabalhista

Desoneração do capital privado

Abertura da economia

 

Estas regras passaram, posteriormente, a serem consideradas o “dever-de-casa”  dos países “Emergentes”(nova denominação dos países em desenvolvimento) e o conjunto de condições básicas para esses países receberem os investimentos dos investidores internacionais privados.

Por último, e não menos importante, em 1989 se deu  “a queda do muro de Berlim”, o fim da “guerra fria” e a consagração dos EUA como a nação hegemônica inconteste. Esse ano representa um marco da consolidação das teses “neo-liberais” e o estabelecimento das regras de rolagem das dívidas dos países do Terceiro Mundo, com a finalidade de abrir um espaço para colocação de mais dólares e abrir mercados para as exportações americanas. Enfim, é o estabelecimento definitivo do padrão dólar-dólar ou dólar- livre.

Nos anos seguintes a situação econômica americana começa apresentar sinais de enfraquecimento após o rápido conflito dos EUA e seus aliados(da OCDE) contra o Iraque de Saddan.

Em 1992 o início de desaquecimento é controlado, mais uma vez, pela política de redução gradual dos juros e aumento da liquidez promovido pelo FED. No contexto internacional os investidores americanos, representados pelos administradores dos fundos de pensão, aplicação das reservas das seguradoras e administradores de grandes fundos de  investidores individuais voam pelo mundo à procura de boas barganhas capitaneados , não mais pelos  grandes bancos comerciais , mais sim por bancos de investimentos, ágeis como grandes corretoras em suas rápidas estruturas eletrônicas e não menos audaciosas em suas operações “alavancadas” . Jorram-se dólares, agora livres de qualquer constrangimento político-ideológico, pelo mundo dos emergentes latino-americanos, que se fartam e se endividam novamente em consumo e especulação (em seus mercados acionários). A grande onda de liquidez  atinge as costas asiáticas inundando os austeros “tigres asiáticos”.

A alegria não é tão duradoura. Em 1995, o México, embriagado pela liquidez, ameaça estragar a festa,  sua moeda rigidamente fixada ao padrão dólar-dólar desde o fim dos 80 explode. Os capitais ameaçam fugir dos países emergentes, se não fosse a instantânea intervenção pessoal do presidente Clinton, aportando US$ 20 bilhões das reservas americanas( com  explicações a posteriori ao Congresso ) para conter a hemorragia financeira e o pânico que se instalaria no mundo “financeirizado” pelo dólar-livre e pelas operações alavancadas. Consegue-se 2 anos de relativa trégua, apesar de um pequeno distúrbio provocado pelo alerta do presidente do Fed- Alan Greenspan ( “a exuberante irracionalidade dos mercados”). As bolsas capitaneadas por Wall Street se animam até  o terceiro trimestre de 1997, quando ocorre as fugas dos capitais dos “gatos do sudeste-asiático” provocando, novamente, uma queda generalizada nas bolsas e uma forte desvalorização do won coreano. Em 1998, é a vez da Rússia suspender os  pagamentos da dívida. Novo pânico, principalmente , porque nesse ano quebra  o Long-Term Capital Management Bank(LTCM) com capital de US$ 4 bilhões ,  especializado em operações “alavancadas” e ‘hedgeadas”(teoricamente protegidas) da ordem de US$ 600 bilhões, que contava em sua administração com nada menos que Scholes da  dupla Black&Scholes e Merton dois Prêmios Nobel. Este fato obriga o FED a  reduzir por três vezes, em um período de menos de 2 meses, a taxa de juros americana. Os bancos que estavam financiando o LTCM foram obrigados a assumir grande  parte das perdas e das responsabilidades.

Além disso, o Brasil  começava a apresentar problemas de liquidez e fuga de capitais , fato que explodiu, definitivamente,com a fraca paridade dólar-real no fim de 1998, início de1999.

Em 1999, um fato inusitado,  o excesso de dólar injetado na economia americana pelo Fed , reforçado pelo retorno dos capitais ao porto seguro dos “treasuries”( títulos do governo americano) fizeram com que os juros caíssem e uma enorme bolha especulativa formasse na Nasdaq – a bolsa da nova economia americana- que subiu de 2.700 pontos em 01/10/1999, para 5.140 pontos em 10/03/2000,uma valorização de 90% em 5 meses e nos 5 meses seguintes, já tinha perdido 1.640 pontos para  3.500 com uma perda de 32%.

Em 2000, as bolsas americanas, depois de seus índices atingirem os maiores níveis da história, enfraquecem diante dos primeiros  sinais de um possível desaquecimento  da economia americana.

Em 2001 se constata que a economia real já está em ritmo mais lento, e que este efeito já se propaga em ondas pela economia mundial, pela Europa e pelos emergentes latino-americanos. De fato, é a vez da Argentina, até então, considerada uma aluna exemplar, no que se refere à utilização do receituário neoliberal, apresentar problemas de sustentação da paridade dólar-peso, que já dura cerca de 10 anos. O “efeito Argentina” contagia os parceiros do Mercosul. O Brasil sofre uma forte desvalorização contornada por um empréstimo relâmpago do FMI para evitar o efeito “dominó”.

Nos EUA, além do desaquecimento, ainda tivemos os  acontecimentos  de 11 de setembro, o que deflagra uma imediata crise na aviação civil internacional e, depois de uma semana de paralisação, Wall Street apresenta uma queda de 7% no índice Dow Jones(contagiando todas as bolsas mundiais). A mobilização para a reação, além do clima de consternação, envolve um grande volume de recursos emergenciais liberados pelo Congresso que são, celeremente, repassados para os segmentos afetados. Os recursos canalizados para o circuito financeiro, rapidamente, surtem efeito na reversão da trajetória de queda das bolsas e da economia americana. A Argentina , no entanto, não se livra do seu problema econômico o que derruba o governo do presidente La Rua e força uma retenção do meio circulante. Após a virada do ano, a simples flexibilizacão dos depósitos é suficiente para a explosão da paridade dólar-peso.

Enfim, para analistas “experts” em indústria financeira como Martin Mayer,aos 74 anos, articulista do The Wall Street Journal, Fortune e Forbes, autor de “best-sellers” como : “The Bankers”,de 1975, e “Fed, The Inside Story of How the World’s Most Powerful Financial  Instituion Drives the Markets”, existe o risco de estagflação. O alvo de suas baterias são as radicais mudanças na indústria bancária e a influência e interferência do FED sobre a atividade econômica além das dificuldades que representa a supervisão bancária num mercado  fragmentado  e não transparente dos derivativos disperso pelo mundo.

A seguir alguns trechos das considerações de Mayer dada ao “Valor”, em 24/04/2001:

“…o Federal Reserve ajudou a estimular a bolha do mercado de ações americano ao injetar grande volume de liquidez em 1998, logo após a crise russa.

… o Fed vem perdendo poder de influir sobre a atividade econômica por causa da desintermediação financeira: só um quinto do financiamento ocorre via bancos. As empresas preferem vender ações ou bônus.O Fed vem tentando compensar a perda de força real usando o poder psicológico que tem sobre os mercados… com anúncios planejados para ter o maior efeito possível sobre os preços dos ativos. …

…o Fed tinha poder mais imediato sobre a oferta de crédito, nas décadas de 50 e 60, quando os bancos vendiam títulos públicos de sua carteira para gerar os recursos necessários a empréstimos.Não era preciso contabilizar os títulos no balanço a preço de mercado- só apurava lucro ou prejuízo na venda . Nessa situação, uma alta de juros derrubava o preço do títulos e cortava o suprimento de crédito – os bancos não vendiam títulos para não realizar prejuízo.

Antigamente as atuacões do Fed no mercado tornavam-se públicas seis meses depois de ocorridas ou nem eram anunciadas (assim, Mayer escreveu num artigo recente).

O jornalista identifica alto risco de estagflação( estagnação econômica acompanhada de inflação) nos Estados Unidos. …

          … Um dos maiores críticos dos novos mercados surgidos na década de 90, como o do              derivativos, Mayer alerta que a falta de transparência destes negócios pode resultar  em desastres de proporções desconhecidas. A maior parte dos contratos de derivativos não é pública e ocorre no mercado de balcão. Os derivativos “mais perigosos”, segundo ele , são os de crédito. Ansiosos para securitizar suas carteiras de empréstimos, os bancos podem relaxar na preocupação com o risco do tomador, porque no vencimento, o crédito estará com outro banco. Mayer critica a condescendência do Bank of International Settlements( BIS, o banco central dos bancos centrais), que aceitou que os próprios bancos estimem os riscos dos contratos. “Ninguém sabe o que realmente ocorre nestes mercados”.

Normalmente,os maiores riscos, que rendem mais, tendem a ser assumidos pelos que têm menos condições de suportá-los – os que precisam do dinheiro.”

Assim, constatamos que as crises da “financerização” vêm se sucedendo em períodos cada vez mais curtos e que seu remédio, injeção de liquidez, já se torna inócuo. A análise da situação indica um claro diagnóstico: Bretton Woods está morto e  um novo “Bretton Woods” se faz,urgentemente, necessário. Entretanto, não somos otimistas, atualmente nenhum apelo, nenhum consenso, que não seja de iniciativa das próprias autoridades da nação hegemônica será levado a bom termo. Somos realistas, é praticamente impossível, devido a complexidade dos agentes e dos interesses envolvidos, que uma crise sistêmica seja avaliada e sustada previamente.

Assim, é a natureza das  grandes crises sistêmicas. Elas acontecem para terminar um ciclo econômico. Podem ser previstas, tal como os fenômenos naturais , mas não podem ser evitadas. Quando muito, seus efeitos podem ser minorados pelos grupos ou agentes que a detetarem e realizarem os procedimentos de prevenção.

Porém não custa avisar e alertar.

Em nível de sonho(e “sonhar não custa nada”), concluímos repetindo Stiglitz

“Economia é um tema difícil porque não podemos realizar experimentos controlados…”

e fazendo as seguintes adaptações(sem o grifo) na sentença original:”Não existem dois acordos de “Bretton Woods”, um seguindo o experimento que descrevi acima e outro adotando as políticas sugeridas por Keynes. Mas nós temos uma riqueza de experiência de onde tirar inferências, que aponta numa direção: os ensinamentos de Keynes ainda estão muito vivos”.

Enfim, lamentamos não termos podido experimentar o mundo do comércio exterior idealizado por Keynes baseado em transações reais  . Um mundo onde o interesse maior seria o desenvolvimento integrado entre as nações e o encurtamento da distância tecnológica dos países e, principalmente, a moeda internacional não teria dono, não teria uma nação emissora e, a priori, ficaria fora do circuito da especulação.

A  Fomação Econômica Brasileira inter-relacionada ao contexto internacional:

Nosso país desde os primórdios de sua história política e econômica quase sempre esteve pendurado  no endividamento externo. Recebemos, de fato, como herança, da era colonial portuguesa, a dívida com a Inglaterra.

 

Nosso corte histórico começa na crise de 1929. Nossa economia , então primária-exportadora, e seu principal produto , o café, sofreu com a crise mundial e a conseqüente queda da cotação no mercado internacional. Conforme pensamento de  Celso Furtado citado no artigo de Ricardo Bielschowsky – “Formação econômica do Brasil: uma obra-prima  do estruturalismo cepalino”- Revista de Economia Política n°36 de out/dezembro de 1989: Uma contração cíclica representaria, nas economias maduras, uma redução do nível de atividade , uma contração no nível de renda e simultaneamente uma redução nas importações. Ao passo que nas economias dependentes ocorreria ao mesmo tempo uma fuga de capitais e um desequilíbrio no balanço de pagamentos. A alternativa seria a desvalorização cambial, o que corresponderia, segundo Furtado, a um mecanismo de “socialização das perdas”, isto resultava na manutenção do grau de concentração de renda e a possibilidade da preservação  do nível de produção. Celso argumentou, que em 1929, o governo adotou a política de destruir parte dos estoques reguladores de café, isto foi equivalente, “a um verdadeiro programa de fomento nacional”. Portanto, o início da industrialização brasileira foi uma injunção do contexto internacional e não uma decisão soberana interna.

Bielschowsky comenta que Furtado chegou, através dessa análise, à sua clássica explicação sobre a transformação da economia primário- exportadora brasileira para economia industrial ocorrida nos anos 30, dada a forte desvalorização da moeda  e a queda das importações, Furtado identifica o “deslocamento do centro dinâmico” da agricultura de exportação para as atividades de produção  de bens para o mercado interno, impulsionadas por “capitais que se formavam  ou desinvertiam no setor de exportações”, acrescidos de importações, a preços reduzidos, de bens-de-capital excedentes dos países maduros em crise. Após a 2ª Guerra, a adoção do câmbio fixo , juntamente com controle seletivo de importações de bens de consumo, posta em prática a partir de 1947, reforçou o estímulo à industrialização pela proteção à infante indústria nacional  e porque a inflação interna(perante a um câmbio fixo) barateava as importações de bens-de-capital e matérias-primas industriais traduzindo em maior renda para a indústria. Furtado identifica neste processo de industrialização a tendência estrutural ao desequilíbrio externo e à inflação. O estímulo inicial à industrialização baseado na impossibilidade de importar seria o problema básico. Em 1947,  a despeito do crescimento de  50% da renda nacional, a capacidade de importação era  a mesma de 1929. Bielschowsky coloca : “Seria de esperar, assim, que a expansão industrial que se processava sobre a estrutura produtiva pouco diversificada, que caracterizava o subdesenvolvimento brasileiro, conduzisse necessariamente a desequilíbrios nos balanços de pagamento e a fortes pressões inflacionárias. É essa a interpretação fundamental do autor (Furtado) sobre o recorrente desequilíbrio externo e a contínua  inflação observada no período de aceleração da industrialização, a partir do final da década de 40”.

Ainda na década de 40, e ainda por causa do Conflito Mundial tivemos  a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional, fruto de uma intensa barganha política com o  governo dos EUA., já que o Brasil se definiu pelo lado dos Aliados(diferente da posição argentina e chilena, que mantiveram a neutralidade no âmbito da América Latina) , inclusive enviando forças militares para o palco da guerra e , também, cedendo áreas para implantação de bases militares norte-americanas.

A década de 50 caracterizou-se como de forte crescimento capitaneado pelo Estado. Foi  a época da criação das grandes Estatais como o BNDE, a Petrobras, a Eletrobras, a taxa de crescimento médio do período alcançou 7% ao ano. O crescimento e a modernização da infra-estrutura financiado pelo BNDE, por certo, criou o ambiente favorável à atração de inversões externas, na segunda metade da década . Para tanto, contamos com a rápida recuperação da economia européia. De lá veio a maior parte do volume dos investimentos diretos para a implantação da indústria automobilística ( Volkswagen, Mercedes Bens, DKV , Simca etc), . Politicamente foi uma década conturbada, pelo fim do período da gestão Vargas,  com o seu suicídio. A “Era Vargas”, constituída de dois períodos distintos e controvertidos(1930 a 1945 e 1950 a 1954), marcou a implantação da base institucional, industrial e da infra-estrutura que permitiu o processo de crescimento nas décadas posteriores. No crédito econômico de Vargas podemos colocar as medidas de implantação da legislação trabalhista e a determinação do salário mínimo, que permitiram a base da  formação de um mercado interno mais consistente. Sua austeridade administrativa  permitiu,dentro do possível, um período de relativa estabilidade financeira e, para tanto, em muito contribuiu  a renegociação da dívida externa junto a Inglaterra, efetivada pelo seu ministro Oswaldo Aranha em 1932.

Juscelino Kubitschek  beneficiando-se da base implantada por Vargas deu prosseguimento ao processo de crescimento com grandes obras urbanas, como a criação de Brasília e a  implantação da indústria automobilística, já citada. Celso Furtado, seu ministro do Planejamento criou as Superintendências de Desenvolvimento Regionais, com a finalidade de interiorizar o desenvolvimento. A administração Juscelino caracterizou -se por uma fase de grandes realizações viárias e  urbanas e um período de estabilidade político-democrático e, a seu débito, o recrudescimento de um processo inflacionário.

A década de 60 começa conturbada, com a renúncia do presidente Jânio Quadros.

Seu vice João Goulart assume, de fato, após uma breve experiência parlamentarista, rejeitada em referendo popular. Jango, como é conhecido, sucessor político de Vargas, tenta implementar ,sem maioria parlamentar , um conjunto de reformas prometidas pelo seu partido trabalhista, no âmbito da educação, dos serviços públicos e da área rural.  As reformas, que representariam a possibilidade de um desenvolvimento autônomo e desconcentração de renda foram, prontamente, rejeitadas pelos grupos dominantes internos e externos. Jango é retirado do poder pela força das armas e um regime militar assume o governo. Podemos entender a reação dos conservadores. Uma vez livres de Vargas, um novo “fantasma” rondava, pois, os trabalhistas no poder representariam, em última instância, conforme a análise anterior de Furtado, uma possibilidade de mudança no grau de concentração de renda.

De 1960 a 1963, apesar da desorganização econômica o país não interrompe o crescimento. A média do período foi de 6,3%, sendo 0,6% em 1963. A inflação é que dispara, parte por refletir o esgotamento de um ciclo e parte pela estrutura oligopolizada e até forçada pelo contexto  político-emocional atingindo 92% em 1964. Os primeiros anos do período militar (que iria até 1985) se caracterizaram  pela aplicação do receituário ortodoxo de combate à inflação representado pelo pensamento dos economistas da escola monetarista e a ampliação dos laços com a comunidade financeira internacional. As medidas clássicas representativas de um choque deflacionário de oferta, com uma política de contenção salarial, atualização das tarifas e preços públicos e um sistema de câmbio controlado, até aqui todas no receituário clássico do FMI, e por último, a mais heterodoxa das medidas, a introdução da indexação oficial nos instrumentos financeiros, com o fim de possibilitar ao governo levantar recursos para financiamento de suas atividades, proteger os aplicadores e estimular a poupança financeira, a “clássica” preocupação dos economistas não-Keynesianos. A indexação, enquanto restrita aos ativos financeiros, permitiu a organização das finanças nacionais e ela coexistiu com a primeira fase deflacionária do período militar. De fato, o “pacote econômico” logrou êxito, a economia  após pequenos desaquecimentos em 1965 e 1967 “decola” à taxas elevadas, acompanhada de declínio da inflação, até o primeiro choque internacional do petróleo . De 1968 até 1973  a taxa média de crescimento atingiu a 11% e a inflação declina para 15% em 1973, o bastante para ser considerado  a era do “Milagre Econômico”. Infelizmente,  não foi um milagre duradouro, mas tão somente um pequeno sonho, prenúncio de grandes dificuldades internacionais.

O 1º choque do petróleo, conforme comentamos na seção anterior, já foi consequência da liberalização do dólar. Quando este sofreu a grande desvalorização após a extinção do padrão dólar-ouro, a subida do preço do petróleo foi somente a correção desta desvalorização em relação ao ouro.

Após o breve período de trégua, a inflação retorna com o choque, dobra de 1973 para1974, permanece na faixa de 30 a 46% até o 2º choque do petróleo(1979), quando então dispara violentamente. A razão do descontrole inflacionário é o choque de oferta representado pela quintuplicação do preço do petróleo. Nossa balança comercial, praticamente estabilizada em 1973(superávit de US$ 7 milhões), reverte para um déficit de US$ 4,7 bilhões. As importações de US$ 6,2 bilhões saltam para US$ 12,5 bilhões, exatamente o peso da conta petróleo (US$ 6 bilhões).

Nesta ocasião, o mundo se ajustava à crise, os países desenvolvidos reduziam seus gastos de energia, os transportes sofreram modificações técnicas para redução de consumo, os sistemas de aquecimento a óleo foram trocados por combustíveis alternativos. Este ajuste da matriz energética mundial provocou um fenômeno econômico raro – a estagflação, que era a redução da produção acompanhada da inflação, provocado pelo custo do  petróleo. O desaquecimento mundial provocou um excesso de liquidez, concentrado nos grandes exportadores do petróleo da OPEP e por falta de opções de investimentos nos países maduros, os grandes bancos americanos e europeus, depositários destes recursos(“petrodólares”) e responsáveis pela sua reciclagem, financiaram o déficit dos balanços comerciais dos países em desenvolvimento, em sua grande maioria (Brasil, inclusive),  devedores na conta petróleo.

Os bancos não podiam financiar diretamente, a conta petróleo. Primeiro, porque se trata de uma “commodity” negociada, praticamente, à vista e segundo porque era risco financiar consumo. A saída indireta era financiar  os “projetos” dos países (importadores) em desenvolvimento, o  que de certa forma acalmava os acionistas e os grandes credores árabes. Os bancos internacionais, apesar das reduzidas taxas dos juros flutuantes, registraram grandes lucros neste período, dado os elevados “spreads (taxa de risco)”, o grande volume de recursos transacionados e  concentrados em poucos e grandes clientes(Aplicadores:OPEP e Tomadores: países importadores) nas duas pontas do sistema , além do que os recursos, em sua maioria, não saiam da tesouraria do setor. Este processo obrigava os países em desenvolvimento a entrar em um “forçado” processo de crescimento e, praticamente, a “inventar” projetos, alguns, de viabilidade duvidosa. É certo que a equação, estagflação nos países maduros e financiamento indireto de consumo(petróleo) nos países em desenvolvimento, não fecharia a médio prazo.

O regime militar, pós 1964, apoiado pela elite conservadora interna aliada aos interesses externos , que monitoravam a atuação política nos países latino-americanos, rapidamente restabeleceu vínculos com a comunidade financeira internacional. De fato, a dívida externa , que, em 1963, estava no patamar de US$ 3 bilhões (14% do Pib) salta para US$ 14 bilhões (18% do Pib), em1973. Portanto, quando veio a crise e o estouro da balança comercial, não restou ao Brasil outra alternativa que não fosse se lançar numa trajetória de expansão acelerada, como a maioria dos países em desenvolvimento.

Novamente a história se repete, a modernização do parque industrial, tal qual, o início da nossa industrialização,infelizmente, não foi uma decisão soberana, mas, uma injunção do contexto internacional.

Assim,foi lançado o 2º Plano Nacional de Desenvolvimento com investimentos em infra-estrutura (Itaipu), indústria pesada e mineração ( Carajás) para captar recursos externos com a finalidade implícita de financiar a conta petróleo. O Plano, apesar de ambicioso, teve alguns dos seus projetos prorrogados mas quase todos concluídos com o apoio imprescindível do BNDE, à exceção do programa nuclear, que além das restrições ambientais ainda enfrentou a resistência política do governo americano perante a escolha de tecnologia alemã para alguma das usinas. Diferente de outros países em desenvolvimento, a maioria dos projetos brasileiros contribuíram, efetivamente, para o aumento da produção e, principalmente, para a exportação .

As dificuldades e a vulnerabilidade externa continuam. Os preços do petróleo duplicam em 1979 e a inflação dobra de patamar de 40 para 80%. A dívida externa atinge US$ 56 bilhões(25% do PIB). No fim do ano o governo decreta uma maxidesvalorização de 30%, revivendo a velha política de socializar as perdas sobre os salários. Na área externa Paul Volcker, presidente do Fed, diante da inflação americana  em torno de 10%, adota o receituário “clássico” e eleva a taxa nominal de juros para 20%. O novo tratamento de choque de oferta provoca uma nova crise econômica internacional e uma corrida aos títulos americanos, resultando numa abrupta redução da liquidez para os países em desenvolvimento.

Em 1980, o governo militar, depois de usar tantas medidas de cunho ortodoxo, torce por um novo experimento – prefixa a correção em 45%, esperando que a inflação do nível de 80% caia para aquela meta. Não deu certo e a inflação termina o ano em 100%, queimando todo o efeito  da desvalorização do ano anterior. A dívida externa atinge US$ 64 bilhões(27% do PIB). Por conta da pré-fixação abaixo da inflação real e os preços contidos, até o terceiro trimestre do ano, houve um aquecimento extemporâneo na produção e no consumo nacionais e o Pib cresce 9,2%.

De 1981 a1983 foram anos de fortes ajustes econômicos em sintonia com a crise econômica internacional. Depois do erro estratégico de 1980, onde a inflação não cedeu  e o consumo aqueceu, o governo militar, em 1981, retorna ao receituário ortodoxo e  aplica um choque via taxa de juros captando recursos no “overnight” à taxas reais. O ano de 1982 fechou com a dívida externa no nível de US$ 85 bilhões(31% do PIB). Então, em janeiro de 1983, o “default” do México no ano anterior e o fechamento do mercado internacional obrigam o governo a fechar um acordo com o FMI e seguir o receituário clássico:

Maxidesvalorização de 30%;

Aumento dos tributos em cerca de 2% do PIB;

Redução de subsídios;

Aumento de 20% nos combustíveis;

Redução real dos salários;

Redução dos gastos e dos investimentos públicos.

Este elenco de medidas tem por finalidade promover um choque de oferta e provocar uma redução drástica de demanda para criar excedentes exportáveis que equilibrem o Balanço de Pagamentos. Não interessa ao FMI as consequências sociais  resultantes e nem a razão verdadeira do endividamento do país, ou melhor de todos os países em desenvolvimentos, ao mesmo tempo, colocados em “default” por injunções da economia internacional, ou mais especificamente pelo excesso de liquidez criada pela “indústria financeira” dos bancos americanos e europeus. Em verdade, a intervenção do FMI serve para salvaguardar a saúde contábil dos grandes bancos internacionais pois, conforme relatamos anteriormente, os recursos captados na OPEP eram aplicados nos países em desenvolvimento importadores de petróleo transitando, em sua maioria, dentro do circuito fechado das próprias tesourarias das instituições financeiras gerando, a cada giro, grandes lucros devido ao volume e aos “spreads” cobrados e incorporados ao patrimônio destas instituições. A alegria termina quando o Fed aumenta as taxas de juros, sem aviso prévio, e os recursos correm para os títulos americanos deixando os grandes bancos sem recursos para continuar  rolando as dívidas dos países em desenvolvimento. Nessa situação, eles têm que constituir provisões para perdas que podem comprometer o patrimônio ou até mesmo a solvência das instituições. Em condições normais o excesso de imprevidência das instituições deveria ser resolvida com um ajuste dos seus patrimônios. Afinal, é para isto que servem a cobranças das taxas de risco. Os empréstimos do FMI dados aos países servem para recomporem as tesourarias dos bancos e o aumento dos prazos servem para as instituições considerarem como “bons” os créditos em risco e não precisarem baixá-los, totalmente, como prejuízos. Quanto aos países em desenvolvimento, as elites dominantes comprometidas  “ideologicamente” com o sistema internacional tratam de se protegerem ,repassando a conta para os setores desprotegidos no processo de socialização das perdas.  De fato, no Brasil já se vinha permitindo  o depósito do excesso do endividamento do setor privado junto ao Banco Central, mas, na eclosão da crise se permitiu  a estatização da maioria da dívida do setor privado, em 1984, cerca de 80% da dívida estava depositada no Banco Central . Esse processo fomentou o crescimento da dívida interna do governo que teve que buscar no mercado interno os recursos equivalentes à contrapartida depositada nas autoridades monetárias. O crescimento acelerado da dívida interna criou toda uma “lógica perversa” de anti-crescimento ao permitir, por exemplo, que o sistema financeiro interno realocasse a maioria das disponibilidades de crédito para a aplicação sem risco nos títulos públicos promovendo a concentração e o fortalecimento dos principais bancos do país. As grandes empresas nacionais e internacionais também refrearam seus projetos de investimento, reorientaram suas vendas para o exterior e suas sobras de caixa para os títulos do governo. Já as empresas estatais tiveram que reprimir seus investimentos  e suas receitas ficaram prejudicadas pela desatualização das tarifas com as políticas de controle da inflação.

Para efeito de mensuração do déficit é implantado o critério – “Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP)”. Apurado pelo Banco Central, consiste em verificar o acréscimo do endividamento governamental nos três níveis(federal estadual e municipal) e mais o das estatais no ano fiscal e considerar o valor deste acréscimo como o déficit público. A lógica do FMI é que se houve aumento do endividamento é porque houve déficit, não importando se o acréscimo foi decorrente, por exemplo, de uma necessidade de “enxugar liquidez”, no âmbito da política monetária das autoridades monetárias. Isto obriga a uma séria restrição ao funcionamento das operações das estatais, ao caracterizar empréstimo de funcionamento operacional com endividamento comum , restringindo os investimentos até mesmo quando financiado pelo próprio caixa das empresas. Este critério de restrição linear e não qualitativo acaba por provocar, também, ao longo de todos estes anos, uma sensível deterioração da qualidade dos serviços públicos, seja na área da educação, da saúde e da segurança pública, ou seja, na infra-estrutura urbana e social chegando a este quadro que assistimos, constrangidos, nos dias atuais .

Pelo lado “ideológico” começa toda uma orientação para considerar as atividades produtivas do estado como ineficientes. A “lógica” do desmonte do estado é o início de um processo de abrir espaço para o setor privado que no limite, posteriormente com a abertura do mercado, viríamos a saber, se tratava de reservar mercado para as transnacionais.

O crescimento do endividamento público( pela incorporação dos juros) ocupa o  espaço do crédito produtivo e restringe todo o potencial de desenvolvimento das atividades para atendimento dos bens de consumo de massa para o mercado interno. Pelo outro lado, os juros passam a ser o principal item dos gastos do governo, e de 1983 até hoje, representam, em média, 5 % do Pib, sendo o único e primordial motivo do déficit público. Qualquer outro motivo, é pura dissimulação ideológica ortodoxa.

O conjunto de todas as políticas restritivas ao desenvolvimento, de fato, produziram excedentes exportáveis à custa da exacerbação da inflação provocada pelos juros, pelas constantes desvalorizações cambiais, além do mecanismo propagador de inflação representado pela indexação plena da correção monetária.

Os superávits comerciais a partir de 1983 até 1994 permitiram pagar a maior parte da conta dos juros externos e remessas de lucros e dividendos do período.

A política recessiva derrota o antigo regime mas, a partir de 1985, os governos civis seguem a mesma orientação econômica e tentam derrubar a inflação com planos heterodoxos através da eliminação da indexação plena.

Aliás nossas tentativas, “coincidentemente”, seguem a trilha de outras sistemáticas adotadas nos outros países latinos. Assim, quando o México quebra em 1982 e faz um acordo ortodoxo com o FMI, o Brasil o faz em 1983. Quando a Argentina ,em 1985, utiliza o “Austral” uma tentativa heterodoxa de congelamento de preços, o Brasil implanta o “Cruzado”, em 1986.

Quando o México, a partir de1989 com auxílio do Tesouro americano securitiza a dívida externa, conforme os ditames internacionais das regras do “Plano Brady”( já comentado), abre a economia conforme os preceitos do “Consenso de Washington” para receber a nova onda de capitais internacionais ( comentado na seção anterior), e, principalmente, fixa sua moeda no “padrão Peso-Dólar” com Salina de Gortari ( seu presidente com perfil reformador e modernizador), a  Argentina o faz, em fins de 1989,  implantando o “Plano de Conversibilidade” fixando sua moeda ao dólar, no “padrão Peso-Dólar” com Carlos Menen (seu presidente com perfil reformador e modernizador), o Peru o faz a partir de 1990 com Alberto Fujimori (seu presidente nipo-peruano com perfil reformador e modernizador).

O Brasil se atrasa no processo, pois, em 1990, quando as reformas começam a ser implementadas por Fernando Collor (nosso presidente com perfil  reformador e modernizador)           são interrompidas com o seu “impeachment”. Finalmente, implantamos o nosso, com 4 anos de atraso, o “Plano Real” fixando  o real ao dólar no “padrão Real- Dólar”  pelo presidente Fernando Henrique Cardoso(nosso presidente com perfil reformador e modernizador).

O erro básico destes planos está, em que segue a mesma lógica que deu errado em “Bretton Woods”, ou seja, ao fixar (ou ancorar) um padrão monetário a uma mercadoria rara de oferta limitada , como o ouro (ou a uma moeda mais forte como o dólar) o processo dinâmico de crescimento dos negócios reais começa a fazer pressão sobre a quantidade limitada da moeda fixa , valorizando-a(Passo 1), quando isto acontece , esta moeda fortalecida incentiva o consumo, os gastos externos e também a especulação. Esta moeda “estabilizada” atrai recursos externos para aplicação em seus mercados financeiros e de capitais formando bolhas especulativas e o crescimento do endividamento (Passo2). Com o estoque de dívidas externas acima de uma quantidade aceitável a moeda fortalecida começa a ser posta em dúvida (Passo3). A rolagem das dívidas começa a ser dificultada e os juros internos e o risco-país começam a subir (Passo4). Enfim, acontece a fuga de capitais e os ataques contra a moeda até a sua desvalorização ( Fim).

Quanto ao Dólar, por ser a moeda “Hegemônica” em que todos os ativos financeiros estão intrinsecamente ligados a ela, cria-se um consenso, do tipo, melhor com ela do que o caos e  ela não sai da Fase2, até que as crises sistêmicas e especulativas, em períodos cada vez mais curtos, provoquem uma crise de grandes proporções.

Aqui voltamos a prestigiar a genialidade de Keynes, em “Bretton Woods” quando propôs a criação de uma moeda dinâmica para as transações internacionais, o ” Bancor”, lastreada no crescimento dinâmico da produção mundial de “commodities” e não lastreada na relíquia bárbara (como denominava o ouro).

 

 

 

Concluindo:

 

Tentamos mostrar  a partir do tema Déficit Público como o problema não está restrito a uma mera política de corte ou de responsabilidade fiscal. Não adianta contar parte da história.

Trata-se de uma questão muito mais ampla de foro internacional. Não adianta  cortar o salário daquele funcionário público ou reduzir a pensão daquele outro aposentado.

Não há culpa dos países em desenvolvimento, e nem “dever de casa” não realizado. Todos somos cúmplices, e não há tempo de perseguir culpados, e sim de tentar a união de todos os países na busca de uma saída global para este imenso “imbróglio mundial”.

A crise é sistêmica. A moeda hegemônica  também está enferma e os EUA apresentam os mesmos problemas dos países emergentes, ou seja , alto déficit em seu balanço de pagamento, alta dívida externa e um potencial déficit público.

Conforme tentamos demonstrar, tudo e todos estamos inter-relacionados, neste cada vez menor e pequeno mundo. Estamos inter-conectados “em rede” e se ligarmos os fios corretamente perceberemos a história global e que todos estamos no mesmo barco. Por isso repetimos é hora de nos inter-conectarmos  para encontrarmos a solução.

A globalização veio para ficar, para o bem e para o mal, portanto, tudo e todos fazemos parte do problema mundial.

Não é uma solução complicada para os Senhores do Mundo, nem mesmo original, Keynes deixou tudo escrito.

E, finalmente, quanto ao  elevado giro do circuito financeiro “eletrônico” internacional, a solução já é conhecida de há muito. Trata-se da taxa Tobin, a “CPMF” em  nível mundial, onde todas as transações e todos os agentes serão registrados e, principalmente, o mercado será  adequadamente dimensionado e controlado pelas Autoridades Monetárias. Além do que, não faltará, ao valor arrecadado, um uso social justo.

Por último, grato pela paciência.

Em tempo:

 

Nos dias em que concluía o texto, de 12/06 a 21/06/2002, a Bovespa caía 10%, o dólar subia para R$2,85(mais1,7%). O Uruguai desvaloriza sua moeda em 30%., e o Dow Jones caía 4%.

E, também,  caíam as Bolsas Européias  e Asiáticas.

 

 

                                                       Anexo:

 

Trechos selecionados do artigo de Samuel Kilsztajn publicado na Revista de Economia Política n°36 de out/dez/1989, “O Acordo de Bretton Woods e a Evidência Histórica – O Sistema Financeiro Internacional no Pós-Guerra :

 

 

 

 

 

 

“… De 1944 até o início dos anos 50, a escassez de dólares manifestava-se em superávits nas contas-correntes norte-americanas e na demanda internacional de dólares para a constituição de reservas. O quadro do pós-guerra, evidentemente ,  sequer comportava a livre convertibilidade das moedas dos principais países industrializados. A convertibilidade das moedas foi alcançada somente em 1958 mas, a partir de 1960, o dólar já deixava de ser”de facto” convertível em ouro. A crise do dólar, resultado do fluxo de capitais dos Estados Unidos para o resto do mundo, agravou-se depois de 1971 com a inconvertilidade declarada do dólar e os déficits em contas- correntes e na balança comercial norte-americana. …

… A supremacia econômica dos Estados Unidos no pós-guerra garantia um superávit estrutural na sua balança comercial e mesmo em contas-correntes …

…Como Triffin salientou “nosso (dos Estados Unidos) superávit de US$ 11,6 bilhões e em mercadorias e serviços  em 1947, sozinho, era aproximadamente igual ao total de reservas em ouro e dólares dos demais países no final do mesmo ano(US$ 12,2 bilhões)”. …

… Algumas definições se fazem necessárias. O balanço em contas-correntes é igual ao movimento de capitais e à variação  nas reservas (CC=K+vR). Isso significa, em primeira instância, que o superávit norte-americano … tinha que ser contra-balançado por um fluxo de capitais dos Estados Unidos para o resto do mundo. …

…Nos primeiros anos do pós-guerra, os demais países … mantendo a moeda norte- americana como reserva internacional, os demais países acabavam por fornecer crédito para os Estados Unidos (as reservas internacionais em dólares são passivos dos Estados Unidos).

Dadas as circunstâncias históricas e institucionais do pós-guerra, o fluxo de capitais norte-americanos (K) tinha que ser suficiente para cobrir tanto o superávit em contas- correntes (CC), quanto a demanda internacional por dólares (- vR, o acréscimo das reservas internacionais em dólares corresponde ao acréscimo das reservas americanas). …As reservas têm componentes ativos e passivos, Os ativos formados por ouro, moedas estrangeiras, DES(direitos especiais de saque,um “coquetel de moedas fortes) e reservas no FMI. Os passivos são constituídos pela moeda e outros ativos financeiros do país em questão mantidos pelas agências internacionais e pelos bancos centrais e governos de outros países.

As reservas ativas em moedas estrangeiras podem ser ( e usualmente, em sua maior parte, o são) passivos de bancos privados de outros países. As reservas ativas são reservas internacionais das autoridades monetárias. As reservas passivas de um determinado país são ativos que as autoridades monetárias de outros países mantêm contra os agentes governamentais e privados do país em questão. São reservas passivas porque são ativos de autoridades monetárias estrangeiras, e não porque são passivos da autoridade monetária do país. … O dólar no pós-guerra, era realmente convertível em ouro mas , até 1958, os demais países desenvolvidos não efetivaram a prevista convertibilidade de suas moedas.

Com a reconstrução… das economias européia e japonesa, a acumulação de capital … acabou por atrair capitais americanos. Em 1958, quando os países desenvolvidos tornaram-se adequadamente estruturados para assumir a convertibilidade de suas moedas, surgiram dois problemas. Primeiro, a convertibilidade das moedas passou a limitar o papel exclusivo do dólar como moeda de reserva internacional. Qualquer uma das moedas convertíveis poderia ser utilizada como reserva. Segundo, a convertibilidade tornou mais atrativas para os capitais norte-americanos as vigorosas economias dos demais países industrializados. …

… A partir de 1958 … os bancos centrais dos países desenvolvidos encontraram-se compelidos a absorver,como reservas o excesso de capitais norte-americanos em relação ao superávit … dos Estados Unidos.

Esta situação trouxe … o dilema …: “O economista de Yale, Robert Triffin, identificou a debilidade fundamental do sistema monetário baseado no dólar – na verdade, de qualquer sistema monetário internacional baseado numa moeda internacional. Mas, quanto maior e mais prolongado o déficit americano, menor confiança os outros teriam de que Washington continuaria a converter dólares em ouro a uma taxa fixa. Como resultado, teríamos eventualmente pânicos no sistema monetário”.

Entretanto, depois de 1958, … não era a necessidade de liquidez internacional nem de déficits norte-americanos. Ao contrário, o fluxo de capitais norte-americanos, atraídos pelo crescimento dos países desenvolvidos, estava sendo responsável por indesejáveis déficits no balanço de pagamentos dos Estados Unidos. Estes déficits tinham que ser incorporados como … reservas … pelos bancos centrais estrangeiros. Tanto os déficits …, quanto as reservas … eram indesejáveis.

Quando as autoridades monetárias dos países industrializados apresentaram a moeda norte-americana para convertê-la em ouro ao preço oficial de US$35 a onça, o Acordo de Bretton Woods vacilou. As reservas em ouro do Estados Unidos caíram de 653 milhões de onças, em fins de 1957, para 509 milhões, em 1960. O sistema, que em 1958 apenas começava a funcionar conforme o Acordo de Bretton Woods de 1944, já estava falido em 1960.

Segundo Triffin, “se os bancos centrais tivessem reagido ao problema do dólar como fizeram com a libra esterlina em 1931, teria sido em 1960, ou logo em seguida, que a convertibilidade do dólar teria que ser suspensa. O dólar sobreviveu mais de dez anos como moeda dominante somente graças a sua crescente inconvertibilidade de facto,, inconvertibilidade que todos julgavam de próprio interesse não forçar os Estados Unidos a declararem de jure”.

… Os Estados Unidos apresentaram superávits… em contas-correntes durante toda

a década de 60. Entretanto, … a saída de capitais dos Estados Unidos de 1961 a 1967 sempre foi maior que o superávit em contas-correntes …  .

Até 1967, os bancos centrais acumularam reservas em dólares … . Os passivos externos norte-americanos , que representavam US$ 3 bilhões no final de 1949 e US$ 11 bilhões em 1960, passara a US$ 18 bilhões em 1967.

As autoridades norte-americanas… reduziram suas reservas em ouro para 345 milhões de onças em 1967(53% do nível de 1957).

Os  Estados Unidos, que tinham perdido US$ 8 bilhões em reservas entre o final de 1957 e 1960, perderam mais US$ 12 bilhões entre fins de 1960 e 1967. Para efeito de comparação, basta lembrar que o total de reservas  americanas em 1967 era de US$ 15 bilhões.

… mais importante que o decréscimo das reservas de ouro e o crescimento dos passivos  externos… foi o desenvolvimento do mercado de eurodólares … .

A partir do final dos anos 50, os bancos norte americanos, seguindo a trajetória do capital produtivo, emigraram para os países industrializados. Quando os Estados Unidos adotaram medidas para limitar o fluxo de capitais para o exterior, os bancos norte-americanos desenvolveram suas atividades em outros países.

Os bancos centrais dos países desenvolvidos começaram a depositar no mercado de euromoedas… . Os passivos externos dos Estados Unidos … estavam sendo transferidos para os bancos privados.

Os bancos privados recebiam depósitos dos bancos centrais e os reciclavam no mercado de euromoedas, que trabalhava independente das autoridades monetárias. Desenvolvido o mercado de euromoedas começou a minar a política monetária dos Estados Unidos e dos demais países industrializados.

A crise do dólar nos anos 60 manifestava-se no desenvolvimento do mercado de euromoedas. A liquidez internacional expandiu-se aos países do Terceiro Mundo, inclusive o Brasil, ganharam empréstimos e reservas.

O final da década de 60 foi particularmente instável. Após dois anos(1968-69) em que a saída de capitais deu lugar à entrada de capitais externos nos Estados Unidos (reflexo da transferência dos depósitos dos bancos centrais para os bancos privados – o mercado de euromoedas), as autoridades monetárias dos paíse industrializados desativaram seus depósitos em eurodólares. EM 1970, o fluxo de capitais que deixou os Estados Unidos bateu o recorde de US$ 13 bilhões.

Os bancos centrais, que vinham diminuindo suas reservas em dólares norte-americanos, compraram US$ 8 bilhões em passivos norte- americanos em um só ano (1970). Os Estados Unidos, nesse mesmo ano, tiveram de vender US$ 1 bilhão em ouro adquirido em 1969. O Federal Reserve também vendeu em 1969 e 1970 os US$ 3 bilhões em moedas estrangeiras adquiridos em 1967 e 1968.

Uma vez desenvolvido, o mercado de euromoedas ganhara poder e autonomia. Com fluxos financeiros especulativos e o comportamento oscilatório das autoridades monetárias dos Estados Unidos e demais países industrializados (que refletiam a pressão contra a moeda norte-americana), a instabilidade monetária do início dos anos 60 assumia a forma de crise aberta. O pronunciamento de Nixon em 15 de agosto de 1971, que cancelou a convertibilidade do dólar à taxa fixa de US$ 35 a onça, oficializou a crise da moeda americana.

No final de 1971, os passivos externos norte-americanos em poder dos bancos … somavam US$ 15 bilhões. O passivo (bruto) do mercado de eurodólares na mesma data já totalizava US$ 114 bilhões.

… Em 1971 os Estados Unidos registraram seu primeiro déficit na balança comercial do pós-guerra. Excluindo1973 e 1975 os Estados Unidos vêm apresentando déficits comerciais até o presente … As contas-correntes apresentaram déficits em 1971-72, superávits entre 1973-76 e déficits em1977-78.

… Os déficits comerciais entre 1971-78 foram em parte contrabalançados por superávits na conta de serviços. A renda dos capitais norte-americanos no exterior contribuía para a posição das contas-correntes dos Estados Unidos. O superávit na conta de serviços era de aproximadamente US$ 15 bilhões anuais entre 1973 e 1976, e mais de US$ 20 bilhões por ano em 1977 e 1978, quando a balança comercial registrou déficits superiores a US$ 30 bilhões.

A saída de capitais… alcançou US$ 29 bilhões em 1971, e os Estados Unidos perderam US$ 30 bilhões de reservas. O déficit em contas-correntes de US$ 1 bilhão em 1971 é insignificante, se comparado ao fluxo de capitais para o exterior na ordem de US$ 29 bilhões.

O dólar tornara-se inconvertível em 1971. As perdas de reservas norte-americanas … equivaliam essencialmente ao crescimento dos passivos externos oficiais dos Estados Unidos: US$ 25 bilhões ao final de 1970 e US$ 165 bilhões em 1978.

As reservas ativas dos Estados Unidos em fins de 1978 registravam US$ 19 bilhões, dos quais US$ 12 bilhões em ouro … .

… O movimento de capitais dos Estados Unidos para o exterior e o consequente crescimento dos passivos externos oficiais norte-americanos implicavam a desvalorização do dólar,enquanto a iminência da desvalorização do dólar alimentava a saída de capitais norte-americanos e a acumulação de dólares em poder das autoridades monetárias estrangeiras e assim por diante. Além disso, o mercado de euromoedas estava utilizando os dólares norte-americanos para desenvolver eurodólares e ampliar a liquidez internacional. O total das reservas internacionais ativas (exceto o ouro), que representavam 15% das importações mundiais em 1969, atingiu 31% em 1972.

 O sistema de taxas de câmbio flutuantes entrara definitivamente em vigor em 1973. Quando o mercado de euromoedas começou a usar os petrodólares, a taxa real de juros tornou-se negativa, assim permanecendo até o segundo choque do petróleo.

Triffin argumenta que “a explosão dos preços do petróleo foi em parte resultado de uma inflação já em curso, e não causa da inflação. As exportações e importações mundiais, medidas em dólares, estavam crescendo a uma taxa anual de 30% no período de out/1972 a set/1973. Este crescimento não estava de forma alguma desvinculado do crescimento das reservas internacionais que haviam dobrado em três anos, resultado, no mínimo, da procrastinação americana na negociação da reforma do sistema monetário internacional”.

O circuito financeiro teve papel preponderante no desdobramento da crise do petróleo. O mercado de euromoedas sustentou a crise do petróleo ao reciclar os petrodólares, prestando-se a financiar países importadores de petróleo. As reservas internacionais em moedas estrangeiras, que somavam US$ 29 bilhões no final  de 1967 e US$ 45 bilhões em 1970, subiram  para US$ 292 Bilhões em 1978. O mercado de euromoedas cresceu de US$110 bilhões no final de 1970 para US$ 946 bilhões em 1978.

O circuito financeiro internacional desenvolveu-se anteriormente à crise do petróleo. Com taxas reais de juros negativas, o circuito financeiro, que já tinha atingido diversos países do Terceiro Mundo, alimentou a dívida externa desses países e mesmo de países do Leste Europeu independentemente da conta petróleo. Um banco belga, operando em Londres, captava depósitos árabes em moeda norte-americana, que eram emprestados no mercado de euromoedas a países latino-americanos, que aumentavam suas reservas em eurodólares, que eram reciclados nas Bahamas…

O aspecto mais importante do sistema financeiro internacional é sua recorrente crise monetária. A elevada taxa real de juros e as crises das dívidas foram derivadas da crise do dólar, e o problema monetário encontra-se ainda na base da questão financeira.

Na década de 60, a crise do Dólar evidencia-se na perda de ouro por parte das autoridades monetárias americanas, na acumulação de indesejáveis dólares em reservas de autoridades monetárias estrangeiras e no desenvolvimento do mercado de euromoedas. Depois de 1971 e 1973 (com as taxas de câmbio flutuantes), o sistema monetário internacional caracterizou-se por extrema volatilidade.

Grosso modo, o dólar desvalorizou-se durante toda a década de 70…, valorizou-se entre 1980 e fev/1985 e desvalorizou-se entre 1985 e 1987, atingindo um valor inferior a 1980. … De 1970 a 1980, em relação ao dólar, o ouro subiu 1.495% (1980), … o marco 111% (1979), o yen 84% (1978). A libra, com flutuações, acabou a década (1980) com a mesma taxa de câmbio de 1970 … .

Até o final de 1984, o dólar valorizou-se …, 106% em relação à libra (de 1980), ,82% em relação ao marco (de 1979),… e 29% em relação ao yen (de 1978). Entre o final de 1984 e 1987, o dólar desvalorizou-se novamente e a libra subiu 60%, … . As demais moedas atingiram 100% de valorização em relação ao dólar.

Os Estados Unidos não foram capazes de manter o padrão dólar-ouro depois da reconstrução do pós-guerra, quando os demais países industrializados tornaram convertíveis suas moedas. O problema básico passou a ser como conciliar as taxas de câmbio fixas com a mobilidade internacional do capital.

O vazio criado pela crise do dólar estimulou a mobilidade financeira do capital e exacerbou as transações especulativas internacionais. Além disso, o sistema financeiro internacional desenvolveu o mercado de eurodólares, e passou a mover-se em confronto com a política monetária americana.

O crescimento da liquidez internacional trouxe taxas reais de juros negativas, mas taxas negativas não apresentam problemas para os bancos privados. Os lucros dos bancos são resultado da magnitude de seus empréstimos e da diferença entre as taxas de captação e empréstimos. Taxas… negativas podem não afetar os bancos que realizam lucros com taxas reais positivas ou negativas, dependendo do spread e da magnitude dos empréstimos.

O problema monetário acaba sempre no âmbito das operações das autoridades monetárias e em suas políticas. A especulação contra as moedas deságua nos bancos centrais, E o mercado de eurodólares final de 1979, com um passivo bruto de US$ 896 bilhões, já representava 50% do total de dólares norte-americanos em moeda (US$ 107 bilhões),, depósitos à vista (US$ 290 bilhões), depósitos de poupança e a prazo (US$ 1.070 bilhões) e instrumentos do mercado monetário (US$293 bilhões).

Em 1979, quando Volcker (o, então, presidente do FED – o Banco Central norte-americano) decretou a “nova supremacia” do dólar, o sistema monetário e financeiro internacional foi posto de cabeça para baixo. Submetido a “tratamento de choque”, o dólar, que estava em processo de desvalorização acelerada, começou a valorizar-se. E os Estados Unidos mergulharam em sua maior crise econômica do pós-guerra.

A crise dos Estados Unidos transformou-se, então, numa crise econômica internacional. Elevadas taxas reais de juros e a queda das “commodities”, por sua vez, detonaram a crise das dívidas ( no México em 1981, no Brasil em 1982 e no Terceiro Mundo de forma generalizada). O dólar continuou a valorizar-se e a inflação começou a ceder.

A partir de 1982, a administração Regan passou a incorrer em déficits públicos e a economia norte-americana foi reaquecida. A recuperação norte-americana em 1983, o dólar forte e as altas taxas reais de juros acabaram por provocar uma entrada maciça de capitais nos Estados Unidos e um aumento brutal dos déficits na balança comercial e em contas-correntes. A contínua escalada do dólar, contudo, indicava que os déficits em contas-correntes estavam sobrefinanciados pela corrida de capitais ao mercado norte-americano.

… Mas os déficits em contas-correntes acumulavam-se , e os Estados Unidos transformaram-se num devedor líquido internacional.

… Com o histórico “padrão-ouro”, de um lado, e projetos para uma moeda artificial, de outro,o sistema monetário internacional está sujeito a alto grau de instabilidade. Com taxas de juros flutuantes, o dólar, em relação às demais moedas fortes, desvalorizou-se durante a década de 70, valorizou-se na primeira metade dos 80 (até atingir seu nível anterior à declaração de sua inconvertibilidade) e desvalorizou-se entre 1985 e 1987( para aquém do patamar de 1980), O sintomático é que essas oscilações têm ocorrido em períodos cada vez mais curtos, de dez para cinco e de cinco para três anos.”

E, assim, Samuel Kilsztajn conclui seu magnífico artigo:

“Não há solução lógica para a questão do dinheiro universal. Todo acordo é idealizado e reflete a articulação da economia internacional em períodos historicamente determinados. E a instabilidade é inerente à dinâmica capitalista. As taxas de câmbio flutuantes esgotaram-se historicamente e crescem as pressões para um novo “Bretton Woods”. Enquanto isso, o sistema monetário internacional está evoluindo para um sistema oligopolar, com ênfase na coordenação das políticas monetárias e macroeconômicas entre os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão.”

 

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