Círculo do Desenvolvimento

Pleno Emprego e Cidadania

O Melhor da Índia é o Indiano

Posted by hsilveira em março 13, 2008

Hipóteses de Nassif:

1. (pag55) – O crescimento mais significativo na década de 80 deve ser atribuído às políticas fiscais expansionistas e a outras políticas de estímulo à demanda agregada, das quais resultaram déficits crescentes e insustentáveis em conta corrente.

2. (pag56) – O crescimento sobre base sustentável, a partir de 1992, não deve ser atribuído apenas aos impactos positivos decorrentes das reformas econômicas liberalizantes introduzidas antes e depois desse período(em 1985, no governo Rajiv Gandhi e as reformas estruturais pós 1991) mas à combinação destas com a implementação de políticas governamentais claramente orientadas para o desenvolvimento econômico do país.

3. (pag65) O país encontra-se numa encruzilhada, posto que as taxas de crescimento do setor de serviços, especialmente em TI, em relação a indústria e agricultura, têm pressionado a demanda por mão-de-obra num país em que a oferta relativa de trabalho de baixa qualificação é ilimitada. Então, a manutenção do dinamismo do setor TI está condicionado ao desafio de estender para os demais grupos sociais os benefícios provenientes da educação e do treinamento técnico. De acordo com Nassif (pag66) – a teoria de desenvolvimento(de Lewis – 1954) sugere que processos de crescimento deflagrados em países com grande oferta de mão-de-obra só tendem a ser bem sucedidos no longo prazo se a participação dos setores dinâmicos (indústria e serviços) crescerem, como absorverem a demanda excedent da força de trabalho do setor menos dinâmico – agricultura. Nassif, de acordo com esta teoria, e com base na Tab 16, da pág 68, teme que apesar do crescimento das participação do setor serviços baseado em alta tecnologia, de 1983 para 2000 ter passado de17,55% para 23,70% e do setor terciário ter caído de 69,22% para 60,50%, a geração de empregos , no setor de serviços, tem sido modesta, o que exige dos setores industriais e agrícolas uma maior taxa de crescimento.

Por causa disso, estes resultados deixam margem à dúvidas da sustentabilidade do crescimento no longo prazo. No médio prazo, Nassif se preocupa que os elevados déficits fiscais possam reduzir sobremaneira o dinamismo da economia.

Nassif, com base em suas conclusões, sugere como lições para o Brasil:

O que não seguir:

i)Aplicar tarifas de importação tão elevadas, sobretudo, em bens de capital e intermediários, para não reduzir o acesso a bens modernos, bem como, ao não permitir custos mais competitivos, impedir uma alocação mais eficiente dos recusos produtivos da economia;

ii)Deve perseguir o equilíbrio fiscal a longo prazo. Ressalta, que a busca de equiíbrio a longo prazo não é incompatível

com a utilização de política fiscalcomo instrumento temporário de políticas econômicas anti-cíclicas em situações de prolongada recessão.

O que seguir:

i)Investimentos contínuos em educação e treinamento-capital humano, a coexistência de um ambiente de livre concorrência com coordenação estatal e consolidação de instituições sólidas para o sucesso de setores intensivos em conhecimento. Nassif cita Rodrik e Subramanian – ” o boom de setores de TI na Índia nos anos recentes mostra que o período negro(1950/1990)não foi tão negro assim”, posto que houve formação e acúmulo de capital humano no país;

ii)A liberalização comercial unilateral é importante para ao aumento da produtividade e eficiência técnica, mas per se não assegura o desenvolvimento sobre bases sustentáveis;

iii) a liberalização tem seus limites. A Índia ensina prudência na liberalização comercial unilateral em relação as tarifas consolidadas na OMC.

iv) prudência na plena conversibiliddade da conta de capitais, evitando abertura à livre movimentação de capitais de curto prazo de natureza especulativa ;e

v)Políticas de longo prazo como: de educação, industriais, de infra- estrutura, de ciência e tecnologia etc, tendem a maximizar resultados esperados quando são adotadas com políticas macroeconômicas : monetárias, fiscais e cambiais, direcionados para o crescimento econômico.

Comentando o trabalho de Nassif:

Do trabalho de Nassif, sob nosso ponto de vista, depreendemos que, apesar da história política extremamente conturbada destes 54 anos, a institucionalidade e os gabinetes parlamentaristas do Partido do Congresso, após a Independência em 1947, adotaram o caminho da autonomia e soberania para determinar os desígnios do País. De forma autárquica, porém democrática, o Estado Indiano utilizou os instrumentos de Planejamento Econômico, políticas protecionistas e, principalmente, financiamento governamental (Sistema Bancário Estatizado, em 1969) para priorizar a construção da super-estrutura e desenvolvimento de seu mercado interno e, posteriormente, após intenso trabalho de formação de capital humano e desenvolvimento de produtos de software e serviços em TI, se lançar, a partir de 1990,com crescente sucesso, ao mercado internacional.

O Governo Indiano(pág 17 a 20), já em 1948, aprova no Congresso a criação de Planos de Desenvolvimentos (na nossa percepção, Nacionais Desenvolvimentistas), mais tarde conhecidos como Planos Qüinqüenais. Em março de 1950 foi criado a Comissão de Planejamento -“Planning Commission” – para formulação, execução e acompanhamento dos Planos. Antes da apresentação ao Congresso, os Planos, por tradição de ampla discussão democrática, são enviados ao Comitê de Consultoria de Planejamento -“Advisory Planning Board”, criado em 1946, ao Instituto de Estatística Indiano e mesmo a debates com economistas do país. Os Planos Qüinqüenais onde são apresentados os setores a serem priorizados, já está na sua 10º versão que abrange o período de 2002/07. Em resumo(pag19) de 1950 a1974 os 4 primeiros planos previam a construção do parque de bens de capital e dos insumos básicos como mineração e metalurgia básica de metais ferrosos e não ferrosos, estruturas de engenharia pesada, química petroquímica. Os dois seguintes (1974/79 e 1980/85)e , devido aos Choques do Petróleo(1973 e 1979) priorizaram a energia – exploração e refino de petróleo,eletricidade, nuclear e carvão – reestruturação do parque de bens de capital e eletrônicos.Em1974, a Índia realiza testes nucleares incluindo-se, no pequeno grupo de países com armas nucleares. O 7º(1985/90) prioriza a Educação/setores intensivos em alta tecnologia(eletrônicos e energia nuclear) infra estrutura e setores intensivos em emprego, e neste período faz a escolha estratégica de investir física e autarquicamente no apoio ao desenvolvimento e formação de capital humano e da indústria do software. O 8º e o 9º(1992/97e1997/02, já na era pós-guerra fria, na década da globalização, dos conceitos neo-liberais, e da liberdade dos capitais de alta rotatividade a Índia prioriza os setores de alta tecnologia/Educação, energia atômica e aeroespacial ,TI e os de infra-estrutura física e social(energia transporte, comunicação,irrigação e saneamento. Na era da circulação dos capitais voláteis e das crises cambiais( Coréia/Tigres Asiáticos – em 1997, Rússia – em 1998, Brasil – em1999, Bolsas Americanas – em 2000, Atentado nos EUA e Argentina – em2001) a Índia , promovia início de liberação comercial – tarifária , investimentos no mercado de capitais, privatizações de empresas não estratégicas, mas com restrições à abertura de contas ao capital especulativo.

clique para ampliar.

tabela-11.jpg

Discutindo hipóteses de Nassif:

À pág 55, Nassif comenta, com base no gráfico acima, que desde 1961 a única ruptura acontece em 1979(queda de 5,2%). Aí, a partir de 1980, passa apresentar taxas médias mais expressivas. Cita, que estudos econométricos sobre produtividade total dos fatores(PTF) demonstram que o período1950/1970 foi abissalmente baixa e na década de 1970 a PTF foi negativa. Então, estudo de Ahluwalia (1991), confirma sua hipótese de uma inequívoca mudança de rota no início dos anos 1980 (portanto, antes da implementação das reformas econômicas), quando a produtividade total dos fatores, no setor industrial, passou a crescer à taxa média anual de 3,4% (período 1980-1985), comparada à variação média anual negativa (-0,3%) estimada para os 15 últimos anos precedentes.

Analisando o gráfico citado, vemos que, desde 1961, as taxas crescem acima de 4,55% aa, e à pág 14 do texto, informa que o crescimento do período de 1950/80 foi de 3,7% aa. Verificamos, visualmente, que a taxa média de 1960/80 foi em torno de 4,9% aa. Considerando que o período 1960/80 representa 2/3 do período 1950/80, então, a década de 1950 teria tido uma taxa média de 0,44%. Assim, com estas informações teríamos o seguinte crescimento médio anual pelas décadas:

1950 a 1959 – 0,44%

1960 a 1969 – 4,80%

1970 a 1979 – 5,10% (pag14)

1980 a 1989 – 5,80% (pág14)

1990 a 1999 – 5,70% (pág14)

2000 a 2004 – 6,20% (pág14)

Então, nosso entendimento é que este gráfico, a despeito da queda da produtividade por fatores de fase inicial (talvez, por se tratar de uma base velha, obsoleta) ser negativa, representa uma nítida trajetória de uma curva em forma de “S”, ou conhecida como curva de aprendizado, em que após uma fase inicial de pequeno crescimento o processo alavanca em elevadas taxas(daí a necessidade do gráfico ser plotado em escala Log, para ser visualizado na folha de papel). Nossa observação, é que se trata de 54 anos, quase, ininterruptos (apenas a queda de 1979) de crescimento contínuo, à média de 5% aa e, não apenas um crescimento que se acelera a partir da década de 1980 devido a políticas liberalizantes.

O receio de Nassif de crescimento com Déficits Fiscais:

Acreditamos que o receio de déficits fiscais primários da ordem de 5% do PIB, diante de um longo processo de crescimento tem que ser relativizado. O crescimento, com base em políticas Keynesianas(como Nassif reconhece à pg 7), implica que o investimento e os gastos governamentais reais acrescem a Renda. Então o déficit fiscal e o investimento de um ano respondem pela continuidade do crescimento do PIB no ano seguinte, significa que o déficit e o investimento do ano n-1 responde pelo crescimento do PIB do ano n. Se este processo é muito longo e contínuo, este fato dilui o efeito do déficit. Por outro ângulo, o crescimento contínuo e a maturação de investimentos, durante o processo, aumentando a oferta agregada, dilui custos e reduz a inflação. A inflação indiana, na base de 4%, diante de crescimento de 7% é de nos matar de inveja. Coloca-nos diante de uma certa dúvida se “Meta de Crescimento” não é melhor que “Meta de Inflação”.

clique para ampliar

grafico-s2.jpg

O Receio de Nassif do Crescimento com Déficits em Conta Corrente:

O receio de Nassif é procedente, afinal com base na Tabela acima(pg38) e da Tabela 6 (pg38) verificamos que a Conta Corrente é deficitária, pelo menos, desde 1979 até o ano 2000 (22 anos), e, considerando o fato que as Reservas Internacionais atingiram, em 1990, um piso de US$ 1Bilhão, confirma o fato que o risco soberano da Índia podia ser considerado muito elevado, e o país não ser financiável pelo mercado internacional.

Então, como explicar que o país, não só foi financiado por investimentos e empréstimos estrangeiros, como também, formou reservas, atualmente, ao nível de US$ 141,2 Bilhões?

Uma hipótese apressada poderia ser creditada à enorme liquidez internacional, que apesar de volátil, aceitava altos níveis de riscos.

Entretanto, numa análise mais acurada, observando a Tabela acima, e uma sentença colocada por Nassif, à pg 50: “Os déficits comerciais têm sido amortecidos pelas receitas líquidas positivas do setor de serviços e, mais ainda, pelos saldos positivos das transferências unilaterais privadas, especialmente de indianos residentes no exterior“.

Assim, em valores globais de 1993 a 2004, fazendo algumas modificações nas Contas do Balanço de Pagamentos, como retirar os valores das Transações Unilaterais Privadas(=Indianos Residentes no Exterior) do Saldo das Contas Correntes teríamos um déficit acumulado de US$175 Bilhões. A Conta de Capitais contribuiria com um total de US$ 143 Bilhões , mas deixaria, ainda, um déficit de US$ 32 Bilhões. Entretanto, com a contribuição do saldo das Transações Unilaterais Privados(=Indianos Residentes no Exterior) o saldo da conta de Reservas internacionais cresce para US$124,8.

RESUMO: Mais importante que a exportação de softwares e serviços de TI, o melhor produto de exportação indiano é o seu Capital Humano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Em US$Bilhões

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

TOTAIS
T Unit Privadas=TUP

5,3

8,1

8,5

12,4

11,8

10,3

12,3

12,9

15,4

16,4

22,8

20,5

156,7

Cont Corrente

-1,2

-3,4

-5,9

-4,6

-5,5

-4,0

-4,7

-2,7

3,4

6,3

10,6

-6,4

-18,1

CC(Excl.T Unit Priv)

-6,4

-11,5

-14,4

-17,0

-17,3

-14,4

-17,0

-15,5

-12,0

-10,0

-12,3

-26,9

-174,7

IED

0,6

1,3

2,1

2,8

3,6

2,5

2,2

3,3

4,7

3,2

3,4

3,0

32,7

Portfólio

3,6

3,5

2,5

3,1

1,8

-0,2

3,0

2,6

2,0

6.3

10,6

-6,4

26,1

Emp e Fin=E&F

4,7

3,7

-0,6

6,0

4,5

6,1

5,3

3,0

1,9

6,7

5,8

20,2

67,3

Cont Capital

8,9

8,5

4,1

12,0

10,0

8,4

10,4

8,8

8,6

10,8

20,5

32,2

143,2

CC(ExcTUP)-E&F

2,5

-3,0

-10,3

-5,0

-7,5

-6,0

-6,5

-6,7

-3,5

0,8

8,3

5,2

-31,7

Acrésc à Reserva Intern(*)

7,7

5,1

-1,9

7,4

4,3

4,3

5,8

6,2

11,9

17,2

31,1

25,7

124,8

Partc de TUP na Reserva

68%

158%

500%

167%

272%

235%

213%

208%

129%

95%

73%

79%

126%

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Indianos nos EUA:38% dos doutores

12%dos cientistas

36% dos cientistas da Nasa

17% dos cientistas da Intel

34% dos empregados da Microsoft

28% dos empregados da IBM

13% dos empregados da Xerox

Dos 1,5milhão de indianos-20% estão no Vale do Silício( A Nata da Tecnologia em TI dod EUA)

35% dos projetos de empresas que estão começando no Vale do Silício

44% dos estudantes estrangeiros são indianos, 9% são chineses,5% são britânicos, 3% são cana

denses etc

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                       
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